Bootleg’09 – Coletânea organizada por Outros Críticos (2009)
RELEASE
16 canções. cantautora portuguesa. grupo de amigos à margem da avenida quente. violões e vozes turvas. silêncio. grito. outro grito. sambas e música ligeira. ideias que se repetem. uma canção sem estilo. um som. som sem palavra. estórias e metáforas. tudo fora e dentro. as palavras que não cabem num mesmo lugar. caos.
Essa é a primeira coletânea que os Outros Críticos organizam, não tivemos uma curadoria, apenas fomos convidando alguns artistas que já tínhamos entrevistado, além de estender o convite a outros, bem como postar no blog a nossa ideia; algumas canções vieram como surpresa, outras prometidas não chegaram, bem ao espírito dos Bootlegs, que são estas músicas erráticas, estranhas soltas nas gavetas, às vezes de tão estranhas devem carregar a beleza virgem que o artista tanto sonha.
O projeto é de lançar anualmente uma coletânea de bootlegs, então, bandas e cantores, mantenham guardadas as suas canções e takes e sonhos, não os joguem fora. Aqui terão guarida.
Agradecemos a todos os que enviaram as suas canções. Esperamos por mais. Estamos vivos. Té.
Rennó & Amélie
FICHA TÉCNICA
Produzido por Júlio Rennó & Amélie Marie
Projeto gráfico de Cécile Duchamp
Publicação gratuita para download em 25 de dezembro de 2009; canções enviadas pelos autores
Outros Críticos by Carlos Gomes & Fernanda Maia is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License
MÚSICAS
1. a mentira – márcia

cantora portuguesa, residente em lisboa, voz & violão; vozes portuguesas, inglesas, francesas & poetas; dois discos lançados, um ep homônimo e o “novos talentos fnac 2009”; mora do outro lado do mar, mas perto demais do coração.
2. assassino da rua do sol – zeca viana

O projeto solo Zeca Viana foi criado em 2007 após algumas gravações experimentais caseiras. O resultado agradou e as músicas foram então incluídas no primeiro disco solo de Zeca: Seres Invisíveis. (…)
Influenciado por filosofia (estética), rock psicodélico, Tropicalia, cultura pop e várias formas de arte como pintura e vídeo-arte, Zeca vem desenvolvendo uma música bastante visual. (…)
3. chora – romulo fróes
(…) “No Chão Sem o Chão” traz ainda minha admiração pelo samba, mas acredito que avança minha reflexão sobre a canção brasileira e minha busca de novos caminhos pra ela; cabe a quem ouvi-lo avaliar seu sucesso nessa empreitada. O que sei é que finalmente me realizo por inteiro com um disco e penso que achei a resposta para a recorrente pergunta “que tipo de música você faz?”. Está aqui. Essa aqui.
4. cantiga das águas claras – flávia muniz

(…) Existem artistas que, historicamente, guardam singularidades que nos fazem tecer um olhar mais atento às suas obras e trajetórias. Flávia Muniz é uma dessas artistas. Leva ao palco as palavras mais exatas para o contexto de uma música que evoca, de certa forma, o que brotou no Lira Paulistana e outros palcos vanguardistas.
5. do bem – matheus torreão

(…) A força da banda vem de sua simplicidade: cada harmonia, cada nota e toda rima faz as canções terem os apelos universais do sentimento espontâneo. A Caravana do Delírio é uma banda singular entre tantas pela facilidade com que suas canções tocam quem as escuta.
6. baygon – lulina

Não há GPS no amor, tampouco há um guia confiável nos becos da Lulilândia, uma terra mais de se perder do que se virar, depois não diga que não fiz a advertência, lesado moço matuto de novidades. Passeio ideal para um flâneur, com requinte e alma de cachorro magro de tão besta e livre, bons panos, lenço no pescoço, mas sem frescura de dândi, pode ser mulher ou pode ser homem. (…)
7. a balada da sibita baleada – german ra
era uma noite escura e tempestuosa. o sol derretia todos os sorvetes daquela cidade sertaneja, por isso os garotos foram tomar banho de mar antes do almoço (…) Germano Rabello vulgo German Ra e músico da banda Sabiá Sensível.
8. vela lofi – ampslina

(…) Experiência e experimentalismo. As características sonoras são: temas doces de violino, flertando em meio aos timbers dos pedais e noises de guitarra, versatilidade dos vocais, timbres e efeitos eletrônicos.
9. recuerda de ti – holger

(…) A única constante é o sorriso na cara de cada um dos integrantes, que costumam tocar com dedicação de primeiro show da vida em qualquer lugar que estejam, seja para meia dúzia de pessoas numa biboca no interior de São Paulo, seja abrindo para o No Age e o Matt & Kim na Popload Gig. Gosto de brincar que eles são uma boy band for real. (…)
10. (eu preciso parar de) fumar – rafael castro e os monumentais

Rafael Castro, tendo como referência principal aquele setentismo brasileiro de se cantar junto, cria e promove sua música com as ferramentas e as técnicas mais atuais, aquelas disponíveis às mentes ligadas, ligeiras e à frente. Ora soando rock de bandana como os primeiros discos solos da Rita Lee, ora como a brasilidade casqueira de Krig-Ha Bandolo (…)
11. benzinho – graveola e o lixo polifônico

(…) O grupo impressiona pela convicção com que, às vezes, faz coisas um pouco ridículas e ambíguas, pela “cara-dura” com que incorpora pedaços de músicas alheias, pela capacidade de improvisar sem virtuosismo e de fazer shows com equipamentos precários.
12. mir – dimitri br

cancionista brasileiro, letras garrafais brasileiras, homem, alto, todos os sons e ainda os outros, rio de janeiro & ainda samba e ainda outras coisas com outras vozes e aqueles desejos de poesia oculta.
13. duda – hidrocor
a hidrocor faz músicas confortáveis como uma calça de moleton. já ouvi dizer que se musica normal fosse cinema a hidrocor faria vídeo. o show sempre pode acabar a qualquer momento, se quebra a marcha ré do violão do perdido, se desitratar as peles do caldas ou se o monstro virar médico.
14. fim de semana – stela campos

(…) Acho que o novo trabalho é um divisor de águas; meio que um exorcismo de uma estética garageira-psicodélica que eu ainda não havia tido a chance de mostrar em disco – ou ainda não havia dado prioridade
15. a trapezista – monodecks

(…) A proposta do grupo não se atém a regionalismos sonoros e nem mesmo a um idioma, visto que trata-se de um trabalho predominantemente instrumental. Influências de psicodelia, free jazz, noise, dub, música concreta e demais vertentes vanguardistas contemporâneas, filtradas através do primitivismo do rock, podem ser encontradas nas composições da banda, em menor ou maior escala.
16. de repente – jean nicholas

(…) A cultura pop me levou desde cedo a criar outros mundos, povoados de anti-heróis vivendo situações absurdas. A contracultura me levou a querer viver tais situações. Já acordei muitas vezes sem saber onde estava. Estas canções são resultado de tudo isso.
17. [faixa bônus] – reino costa-azul – márcia
Fonte: Todas as fotos e trechos de perfis foram retirados das páginas de myspace das bandas. Os perfis de Márcia e Dimitri BR foram escritos por Júlio Rennó.